
PT Carnival/Capture reúne imagens captadas pelo Google Street View ao longo de todo o percurso do desfile da escola de samba Unidos da Tijuca durante o Carnaval de 2015 no Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. O tema daquele ano, "Um encontro marcado no tempo", prestou homenagem ao figurinista de carnaval Clóvis Bornay. Aqui, porém, o Carnaval não se apresenta como um espetáculo ou uma celebração organizada. O que vemos é uma festa captada por um sistema que não reconhece coreografia, narrativa ou tempo festivo. A Sapucaí é registada como uma estrada, uma infraestrutura, um percurso. Um caminho a ser mapeado. Corpos em movimento, carros alegóricos e multidões são fragmentados por uma visão automatizada e intermitente, incapaz de acompanhar a temporalidade do Carnaval. O que deveria ser contínuo surge em falhas, saltos e interrupções. O excesso transforma-se em ruído. As imagens não documentam o desfile; destacam as limitações de um dispositivo concebido para ruas vazias, não para corpos em festa. Neste deslocamento, o Carnaval é reduzido a dados, a um percurso, a um registo operacional. Não há escolha de enquadramento, nem intenção estética, apenas captura. O olhar não participa, não interpreta, não celebra. Funciona. O desfile acaba por se tornar uma coreografia involuntária entre a celebração popular e a tecnologia de mapeamento, revelando como até um ritual coletivo, local e efémero pode ser absorvido por sistemas de registo globais. Esta publicação observa o que acontece quando o Carnaval é visto através dos olhos
EN Carnival/Capture brings together images captured by Google Street View along the entire route of the Unidos da Tijuca samba school parade during the 2015 Carnival in Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro. That year’s theme, Um encontro marcado no tempo (A rendezvous marked in time), paid tribute to carnival designer Clóvis Bornay. Here, however, Carnival does not appear as a spectacle or an organised celebration. What we see is a party captured by a system that does not recognise choreography, narrative or festive time. Sapucaí is recorded as a road, infrastructure, route. A path to be mapped. Bodies in motion, floats and crowds are fragmented by an automated, intermittent vision, incapable of keeping up with the temporality of Carnival. What should be continuous appears in glitches, jumps and interruptions. Excess becomes noise. The images do not document the parade; they highlight the limitations of a device designed for empty streets, not for bodies in celebration. In this displacement, Carnival is reduced to data, a route, an operational record. There is no choice of framing, no aesthetic intention, only capture. The gaze does not participate, does not interpret, does not celebrate. It operates. The parade ends up becoming an involuntary choreography between popular celebration and mapping technology, revealing how even a collective, local and ephemeral ritual can be absorbed by global recording systems. This zine observes what happens when Carnival is seen through the eyes of someone who doesn’t know how to party.
Year: 2026 A zine by THE-ICONOMIST Edited by Romeu Silveira
Graphic design by frombrazilwithlovestudio, NO ISBN, 14x21 cm, 84pp., softcover
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